
Era um dia perfeito, numa tarde ensolarada, com uma brisa suave acariciando a pele.
Eu e ele, riamos de tudo, andavamos pelas ruas, despreocupados e felizes.
Ele, com o braço em torno do meu ombro, sorria e me fazia sorrir de pura satisfação.
Conversavamos o tempo todo, enquanto andavamos sem rumo certo, parando aqui e ali, para ver algo que nos chamasse a atenção.
Quem nos visse, diria que eramos o par perfeito, tamanha afinidade de gostos e pensamentos.
Formavamos um casal bonito tambem, ele com seu porte atlético, alto, vestindo um blue jeans e uma camiseta branca, e eu, quase 30 cm mais baixa que ele, cabelos negros e compridos, que contrastavam com meu vestido de verão branco, que esvoaçava grudando-me nas pernas.
E nós nos amavamos, isso era o mais importante, era o que nos fazia rir á toa.
Enquanto eu observava uma vitrine, notei que ele me olhava de uma maneira diferente, meio pensativo. Olhei direto em seus olhos e fiquei esperando, então ele disse...
-Imagine que voce é uma pessoa, extremamente infeliz e solitária, que se sente partida ao meio, que acha que ninguem te compreende,pois ninguem enxerga atraves da máscara de falsa felicidade que voce usa...
-Eu era exatamente assim, antes de te encontrar.-interrompi, com um aperto na garganta.
-Imagine, que essa pessoa, em busca da sua felicidade, acabe perdido em um deserto, e por estar perdido e só, concentra todo seu pensamento...e...por milagre, consegue captar os pensamentos de alguem, que sofre como ele. E ele, que seria o unico que poderia entende-la, conforta-la e completa-la, está perdido e morrendo...
Como essa pessoa pode atravessar o mundo, para ficar perto daquela outra? Como ele pode fazer ela saber que ele existe, que sente o mesmo que ela, que ele a procurou, que ele a amou? Como? Se ele está perdido e morrendo...
As lágrimas, já escorriam pelos meus olhos, quando ele debruçou-se sobre mim, encostando seu rosto no meu, e me sussurrando ao ouvido...
-Só morrendo mesmo...

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